O efeito do envelhecimento no olfato e paladar: causas, impacto na saúde e como preservar

O olfato e o paladar são sentidos profundamente ligados à experiência humana: eles influenciam a alimentação, a memória afetiva, o apetite e até a segurança (como detectar alimentos estragados ou fumaça, por exemplo). No entanto, eles estão entre os sentidos que mais sofrem com o envelhecimento. A perda gradual do olfato (chamada hiposmia) e a diminuição da sensibilidade gustativa são comuns após os 50 anos, ainda que muitos não percebam os sinais imediatamente.

Ao contrário do que se imagina, essa perda sensorial não é apenas um incômodo. Ela pode desencadear problemas nutricionais, afetar o humor e aumentar os riscos cotidianos. Também é um indicador relevante de algumas doenças sistêmicas e neurológicas, por isso, merece atenção. Ao compreender as causas e buscar intervenções, é possível preservar esses sentidos essenciais e promover mais qualidade de vida ao longo do envelhecimento.

O objetivo deste artigo é explicar, de forma clara e embasada, porque olfato e paladar mudam com o tempo, quais impactos essas alterações trazem e quais estratégias realmente ajudam a preservá-los.

Por que olfato e paladar mudam com a idade?

1.Por que olfato e paladar mudam com a idade?

Com o passar dos anos, as células receptoras olfativas e gustativas diminuem sua capacidade de regeneração.
O epitélio olfatório, responsável por captar partículas odoríferas, vai afinando e perdendo receptores.
 Isso reduz a capacidade de identificar cheiros sutis e de distinguir aromas complexos.

Da mesma forma, as papilas gustativas da língua (responsáveis por captar sabores) tendem a diminuir em quantidade e sensibilidade. Sabores como doce e salgado são os mais preservados; já o amargo e o ácido são percebidos com mais dificuldade.

2.Impacto de doenças crônicas e medicamentos

Diversas condições associadas ao envelhecimento interferem na percepção sensorial, como:

  • Diabetes
  • Doenças neurodegenerativas (Alzheimer, Parkinson)
  • Rinite crônica e sinusites
  • Doenças autoimunes

Além disso, medicamentos de uso contínuo, antidepressivos, anti-hipertensivos, antibióticos e anti-inflamatórios, podem alterar o paladar ou reduzir a sensibilidade olfativa.

3. Fatores ambientais acumulados ao longo da vida

Exposição à poluição, tabagismo e contato com substâncias químicas ao longo de décadas danificam o epitélio sensorial.
Isso explica por que pessoas que fumam ou vivem em ambientes poluídos têm maior risco de perda do olfato e paladar após os 50.

Impactos e estratégias para preservar olfato e paladar

1.Impactos e estratégias para preservar olfato e paladar

A perda do olfato e do paladar altera profundamente a experiência alimentar.
Sem perceber adequadamente aromas e sabores, algumas pessoas passam a comer menos, por falta de prazer.

Outras, ao contrário, aumentam o uso de açúcar, sal ou temperos fortes para compensar a perda sensorial.

Isso gera riscos como:

  • Desnutrição
  • Perda de peso
  • Hipertensão
  • Diminuição da imunidade
  • Isolamento social e queda de bem-estar

Esses sentidos também estão ligados à memória e às emoções. Quando diminuem, muitas pessoas descrevem sentimento de “desconexão” com o prazer de comer e com lembranças gustativas importantes.

2. Diagnóstico e avaliações necessárias

A avaliação médica é essencial, especialmente quando a perda sensorial surge rapidamente. O otorrinolaringologista pode realizar testes como:

  • Endoscopia nasal
  • Testes psicofísicos de olfato
  • Rinomanometria
  • Exames de imagem

Esses exames ajudam a diferenciar causas reversíveis como inflamação nasal de causas neurológicas ou degenerativas.

3. Como preservar ou recuperar o olfato e o paladar

Existem condutas validadas na literatura médica que auxiliam na preservação sensorial:

Estimulação olfativa (treinamento olfativo)

Uso de essências naturais (rosa, limão, cravo e eucalipto) em sessões diárias por semanas ou meses.
Esse processo fortalece as conexões neurais e melhora o reconhecimento de aromas.

Ajustes na alimentação

  • Preferir alimentos com texturas variadas
  • Usar ervas e especiarias naturais
  • Manter hidratação adequada
  • Apostar em alimentos antioxidantes (frutas vermelhas, cúrcuma, gengibre)

Terapias integrativas

A aromaterapia, mindfulness alimentar e exercícios respiratórios ajudam a ampliar a percepção sensorial e favorecem a oxigenação da via olfatória.

Conclusão

O olfato e o paladar também envelhecem, mas esse processo não deve ser ignorado. Esses sentidos influenciam diretamente a nutrição, a segurança e o prazer de comer. Com avaliação adequada, estímulos corretos e intervenções integrativas, é possível preservar ou recuperar parte dessa sensibilidade trazendo mais sabor, saúde e vínculo com a vida cotidiana.

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