Distúrbios do sono nos adultos: entenda, previna e trate

Com o passar dos anos, a qualidade do sono tende a mudar. Muitos adultos relatam dificuldade para adormecer, despertares noturnos ou sono não restaurador. Alterações hormonais, rotina acelerada e condições crônicas contribuem para esse quadro, tornando os distúrbios do sono comuns.

A insônia, a apneia do sono e a hipersonia estão entre os problemas mais frequentes. Eles afetam não apenas o descanso, mas também o metabolismo, o coração e o humor. Entender as causas e adotar estratégias de prevenção e tratamento é essencial para recuperar a energia e o equilíbrio.

Insônia: quando o corpo pede descanso, mas a mente não desacelera

A insônia pode se manifestar pela dificuldade em adormecer, manter o sono ou acordar cedo demais. Ela pode ser pontual, relacionada ao estresse, ou tornar-se crônica. Após os 40, a queda na produção da melatonina e os fatores emocionais são os maiores desencadeantes desse problema, mas muitos fatores ambientais também podem influenciar esse cenário.

A privação de sono contínua prejudica o sistema imunológico, aumenta o risco de hipertensão e diabetes e compromete a memória e a concentração. Estudos mostram que dormir menos de seis horas por noite eleva significativamente o risco cardiovascular.

A insônia pode ser abordada de forma eficaz por meio de uma combinação de estratégias: primeiro, as intervenções comportamentais, como a Terapia Cognitivo‑Comportamental para Insônia (CBT‑I), que é considerada o tratamento de primeira linha, focando em higiene do sono, controle de estímulos e reestruturação de pensamentos.

Segundo, temos os ajustes no estilo de vida, como manter rotina regular de sono, reduzir o consumo de cafeína após as 16h e evitar o uso de telas e luzes fortes antes de dormir. Essas mudanças têm um papel fundamental na qualidade do sono.

Finalmente, quando necessário e sob supervisão médica, podem ser utilizados medicamentos, suplementos ou terapias complementares, sempre integrando o tratamento para garantir efeitos sustentáveis e segurança.

Apneia do sono: o perigo das pausas respiratórias

A apnéia do sono caracteriza-se por interrupções repetidas da respiração durante o sono. O sintoma mais evidente é o ronco alto, mas também surgem sonolência diurna, dor de cabeça ao acordar e falta de concentração.

A apneia aumenta o risco de hipertensão, arritmias e AVC. As pausas respiratórias reduzem o oxigênio no sangue, sobrecarregando o coração e o cérebro. Em longo prazo, podem contribuir para resistência à insulina e ganho de peso.

Quais os tratamentos mais eficazes para a apnéia do sono?

O CPAP (pressão positiva contínua) é o tratamento padrão-ouro, mantendo as vias aéreas abertas durante o sono. Também são importantes mudanças de estilo de vida, controle de peso e, em alguns casos, cirurgia ou aparelhos intraorais indicados pelo otorrinolaringologista.

Hipersonia: o cansaço que não passa

A hipersonia é caracterizada por sono excessivo e prolongado, mesmo após uma noite aparentemente normal. Pode ser secundária à apneia, depressão ou alterações neurológicas.

A sonolência constante afeta a produtividade e aumenta o risco de acidentes. Emocionalmente, gera irritabilidade e sensação de falta de energia, interferindo na vida social e profissional.

Investigar a causa é fundamental. Ajustes no estilo de vida, acompanhamento médico e o tratamento de distúrbios associados costumam restabelecer o ciclo natural do sono. Em alguns casos, terapias específicas podem ser necessárias para regular o ritmo circadiano.

Outras condições que impactam a qualidade do sono

Existem várias outras condições além da insônia, apneia do sono e hipersonia que podem interferir seriamente na qualidade do sono. Alguns exemplos incluem:

  • Síndrome das Pernas Inquietas (SPI) e Despertar Periódico de Membros (PLMD): movimentos involuntários das pernas enquanto dorme que fragmentam o sono profundo.
  • Transtorno do Ritmo Circadiano Sono‑Vigília: quando o relógio biológico está “desencaixado”, fazendo a pessoa dormir tarde demais ou acordar muito cedo ou de forma irregular.
  • Parasomnia: comportamentos anormais durante o sono ou na transição para o sono (como caminhar dormindo, terrores noturnos, falar dormindo) que impedem um sono reparador.
  • Síndrome de Resistência das Vias Aéreas Superiores (UARS): semelhante à apneia, mas com despertares frequentes e esforço respiratório aumentado, mesmo sem quedas de oxigênio proeminentes, prejudicando o sono.
  • Problemas respiratórios crônicos: crises de rinite, sinusite, bronquite e asma em condições crônicas podem, constantemente, interferir no sono.

Conclusão: o sono é o alicerce da saúde

Os distúrbios do sono merecem atenção porque afetam o corpo como um todo. Na vida adulta, noites reparadoras se tornam um verdadeiro investimento em longevidade. Diagnóstico precoce, tratamento adequado e hábitos saudáveis podem transformar o dia-a-dia de quem convive com cansaço constante.

Dormir bem fortalece o sistema imunológico, preserva a memória, equilibra os hormônios e protege o coração. É a base silenciosa da saúde e o primeiro passo para viver com mais vitalidade.Se você tem dificuldade em dormir por qualquer uma das razões citadas, não hesite em procurar ajuda de um especialista em medicina do sono. Você merece dormir melhor!

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